eu também preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui

por Ricardo Rezende

Silencioso e triste daquele homem que perambula solitário por uma praia acompanhado de seu cachorro. Leva ao seu redor um vermelho escaldante, desolador e imenso criado nos ambientes imateriais de um computador. Nada mais que um gesto pictorialista diante dos novos recursos de criação de imagem que nos tiram artificialmente do lugar comum. Na foto, um homem e seu animal se tornam pequenas figuras ou nada mais que pequenos vultos imersos naquela paisagem simbólica, de tão alterada que foi. É a arte com o seu poder de transformar realidades ou nada mais que uma lincença poética que paira sobre este mundo.

Trata-se de uma instalação ou fotomontagem levadas diretamente no plano da parede. Procedimento que vai se repetir em outras situações criadas no espaço de exposição quando Rogério Ghomes vai propor aproximações entre imagens que até se parecem idênticas. Mas não são. Nas suas pequenas diferenças captadas na passagem do tempo, as paisagens que estão em constante transformação, nos indicam que um instante é diferente do outro e não mais se repete. O fluxo natural da vida. Como Atlas que desejava equilibrar o planeta Terra. O artista, na mesma visão utópica do deus grego, tenta a seu modo prender aquele mundo. Rogerio Ghomes, num gesto desesperado com sua máquina fotográfica, deseja captar o tempo presente. Que nasce e morre. Que nasce e morre. Que nasce e morre... Nada mais que um desejo que resulta no congelamento dramático do que já foi.

Estas aproximações que o artista faz ao colocar imagens lado a lado, funcionam como pequenas narrativas topográficas que trazem uma dose de âmbigüidade nesta disposição. O artista parece não querer apenas fazer um registro, mas mais do que isto, captar com extrema dureza o tempo. Ou será delicadeza? Ao colocar ne-te olhar, um viés romântico e desejar nos explicitar nossa insignificância diante das paisagens propostas, mesmo que pequenas ou, inversamente majestosas.

Num primeiro olhar parecem carregadas de emoção, mas se observadas com mais cuidado, percebese um olhar distanciado, até mesmo, frio. É contraditória esta minha observação. Ao mesmo tempo em que percebo a beleza nestas imagens de Rogério Ghomes, percebo também uma dureza nessa objetividade de suas fotografias. Uma descoberta que nos assusta diante de fotos como as quais observam duas ilhas distantes em meio a um oceano de matizes do mesmo azul acinzentado e triste. Não se sabe novamente onde termina e começa mar e céu nesta mistura sutil de tonalidades. Nestas imagens percebemos a noção nostálgica da impossibilidade do infinito, enquanto transcendência.
No entanto, sutis diferenças pictóricas, naturais profundidades das duas fotografias postadas lado a lado em que única informação capaz de alterar este ambiente contemplativo do silêncio proposto por Rogério Ghomes, é a passagem de umas poucas nuvens. Transformações quase imperceptíveis em meio a pesada atmosfera das vistas panorâmicas. É como se tudo tivesse um outro ritmo e tempo no lado exterior das imagens quando levadas à parede. O entorno e o ritmo do espectador circula em outra velocidade diante do quê se observa e que nos determina também uma outra relação objetiva com a escala das coisas no mundo.

Em outros dois trabalhos apresentados lado a lado, pedras cobertas do verde intenso do musgo e debruçadas no espelho negro e profundo de um riacho, parecem à espera de narciso(s) a se jogarem naquele silêncio de pequenas sutilezas. Um outro canto romântico do mundo, proposto pelo artista.

Mais imagens e nos deparamos com ambientes cortinados com tecidos translúcidos. A fotografia agora, comumente associada ao registro da realidade, assume ares de representação. Janelas das janelas. Percebe-se novamente o silêncio a mirar a luz que vem de fora. Vestígios da dualidade do dentro-fora num jogo mútuo de esconder-se do próprio tempo. Imagem, ficção e realidade se confundem em vistas planificadas e indiferentes do mundo exterior vistas do mundo interior.

São as outras licenças poéticas que o trabalho de Rogério Ghomes permite aos incautos como eu, capazes de simplificar e procurar beleza, em tudo que nos cerca, em uma época em que há pouco espaço na sociedade contemporânea para a contemplação. Ou simplesmente espaço para este tipo de exercício que aqui me habilito. Pensar e refletir e pensar sobre o tempo perdido. O sublime ou o belo são marginais em uma época saturada de tensões e imagens banais e velozes. Será que temos realmente a cabeça nas nuvens?

Ao me deparar com o trabalho de Ghomes, fiquei à procura num primeiro instante, das pequenas sensações que suas fotografias me provocavam. Como um observador qualquer, ainda sem o compromisso e responsabilidade do texto.

Obviamente, que o trabalho tem complexidades que o primeiro olhar, não é capaz de captar nas sutilezas do poder implícito das imagens, ditadas pela sociedade contemporânea, período em que são permitidas manobras técnicas, como digitalização de uma fotografia. O que, perigosamente, permite revelar ou simular realidades e as não-verdades.

Ao assumir-se como artista, o fotógrafo Rogério Ghomes, no entanto, licencia-se do compromisso com a realidade dos homens comuns que se percebe apenas na superficialidade das coisas. Ele num gesto artístico ultrapassa esta camada do mundo e capta não só a matéria, mas os fenômenos que se escondem nos planos de suas fotografias. Temos sede de não realidades. Desejei antes de tudo incitar o belo como possibilidade de arte na atualidade, ao pensar nas fotos de Rogério Ghomes. No entanto, deparo-me com outras inquietações sobre o tempo. O ritmo do silêncio, os impulsos do movimento.

Hoje, fotografar tornou-se um gesto tão fácil que tudo ficou registrável e, portanto, retocável com estes novos avanços tecnológicos na geração da imagem. A pureza ética então, há tempos acabou. E o acaso tomou lugar da testemunha ocular dos fatos naturais e humanos. Aquela fotografia que registrava a vida cotidiana como lembranças vividas perdeu lugar, conseqüentemente, diante da quantidade de imagens banais que circulam por meio destes novos dispositivos eletrônicos.

Como se fotografa tudo sem a preocupação de selecionar no clic à espera do instante certo, da percepção do momento sublime, fotografar também não requer mais originalidade.

As imagens de Rogério Ghomes são fortes na sua simplicidade e lembram desolação e silêncio(s) ao nos despertarem como se olhássemos através de janelas, para sentimentos como a percepção da passagem silenciosa do fenômeno tempo. Apenas formas e cores, luzes e sombras fixados por sua câmera fotográfica na nossa noção de tempo.

Restou então ao artista, na era da imagem digital e diante de tais recursos, diferenciar-se em meio à mesmice no gesto fotográfico e registrar o que realmente deveríamos observar e memorizar, como disse sutilmente Susan Sontag. As potenciais anotações do mundo.


i also need to believe that if i close my eyes i will continue in this world…

by Ricardo Rezende

Silent and sad is that man who wanders solitary in the beach accompanied by his dog. A scalding hot red environment – devastating and immense, created in the incorporeal environments of a computer – surrounds them. Nothing more than a pictorial gesture faced with the new image creation resources to artificially take us off of our common place! In the picture, a man and his animal become small figures or nothing more than small shapes immersed in that symbolic landscape, for it was very changed. It is the art with its power to transform realities or nothing more than poetic license that hovers on this world.

Such procedure is not repeated so clearly in the central image in which the ocean is seen with a crudity of a cloudy gray (and a frightening one!), as a painting of Turner. Here the image is surrounded by the red of the previous images as in a constructivist painting. However, it differs a little of the confinement with its central impact. Strictness broken only by the blank of the wave lines that burst in the beach, drawing the horizon where sea and heaven get confused. This is an installation or photomontage conduced straightly in the plan of the wall. Procedure that is repeated in other situations created in the exhibition space where Rogério Ghomes is going to propose approaches between images that look identical. But they are not. In their small differences captured in the passage of time, the landscapes – constantly in transformation – give us indication that an instant is unlike the other and doesn’t repeat so far. The natural flow of life. Like Atlas that wanted to balance the planet, the artist – in the same utopian vision of the Greek god – tries to bind that world. Rogério Ghomes, in a frenetic gesture with his camera, wants to catch the present time. That is born and dies. That is born and dies, is born and dies... Nothing more than a desire that ends up in a dramatic congealment of what is gone.

The approaches the artist does putting images side by side are like small topographical narratives that give a bit of ambiguity. The artist seems not only willing to depict, but also capture with extreme rigorousness – or would it be delicacy? – the time, putting in the looking a romantic view and desiring to explicit our insignificance, even though small or inversely majestic.

At first the images look full of emotion, but observing more carefully it is possible to perceive a distant and even cold gaze. It may be contradictory. At the same time there is beauty and also a hard objectivity in Rogério Ghomes’ photographs. A discovery that frightens as we face pictures like the ones in which there are two distant islands among an ocean of the same grayish blue and sad hue. It is not easy to know, once again, where sea begins and heaven ends in this subtle mixture of tones. It is there, in these images, the nostalgic notion of the impossibility to touch the infinite, while transcendence.

Nevertheless there are subtle and natural pictorial differences in the depth of the two photographs placed side by side, in which the only information possible to alter the thoughtful environment of the silence, proposed by Rogério, is the moving of some clouds. Almost imperceptible transformations among the heavy atmosphere of the panoramic sights – it is like everything had another rhythm and time in the outside of the images when placed on the wall. The surroundings and the rhythm of the spectator circulate in another speed, faced with what is observed, and determines also another objective relationship with the scale of the things in the world.

In others two pieces presented side by side, stones, covered with the intense green of the moss and bent over in the deep and black mirror of a stream, look like waiting for narcissus(es) while they throw themselves in the silence of small subtleties. Another romantic corner of the world proposed by the artist.

More images and we have an encounter with environments set with translucent fabric curtains.

The photograph, now, normally associated to the depicting of the reality, assumes representing qualities. Windows of the windows. It’s perceived once again the silence watching the light that comes from outside. Vestiges of the duality of the inside-outside in a mutual game of hiding itself of the own time. Image, fiction and reality are confused in planned and indifferent sights of the exterior world seen from the interior world.

These are poetic licenses that Rogério Ghomes’ work permits to the reckless audience, capable to simplify and find beauty in everything around, in a time that there is little space in the contemporary society for contemplation, or space, simply, to think and reflect about the time passed. The sublime or the beautiful are marginal “saints” in a time saturated of tensions, and fast and banal images. Is it possible that we really have our minds in the clouds?

The first moment of an encounter with Rogério Ghomes’ work was an instant of searching for small sensations the photographs provoked, without having the commitment and responsibility of the text yet.
Obviously the work has some complexities that a first glimpse is not capable to capture – as in the subtleties of the implicit power in the images dictated by the contemporary society, period in which the performance of some technical works are permitted, as digitalizing a picture.  This may dangerously reveal or simulate realities or created truths.

Assuming a position of an artist, the photographer Rogério Ghomes gives himself permission of not having commitment with the reality of the common man, perceived only in the surface of things. In an artistic gesture he surpasses this level of the world and captures not only the physical object, but the phenomena hidden in the photographs. We get thirsty of non-realities.

I desired, above all, to incite the beautiful as a possibility of art in the present time while thinking in Rogério Ghomes’ pictures, but I have an encounter with other restlessnesses about the time, the rhythm of the silence, the impulses of the movement.

Today, take photos became such an easy thing that everything is allowed to be pictured and, therefore, digitally manipulated with these new technological instruments of the image generation. The ethic purity has gone long time ago and the chance took place of the eyewitness in human and natural facts. The photograph having the purpose to depict the routine as remembrances lost its place, and consequently, so big is the quantity of banal images circulating in the new electronic devices. Since photographing now is something done without worry to select in the shot, waiting for the exact instant, waiting for the perception of the sublime moment, it doesn’t require much originality anymore.

Rogério Ghomes’ images are strong in simplicity and remember desolation and silence while awake us, as if we looked through windows, for feelings like the perception of the silent passage of time. Just shapes and colors, lights and shades set by his camera in our notion of time.
It remained to the artist, in this digital image time and faced with such resources, to differentiate himself from the sameness in the photographic gesture and picture what we really should observe and memorize, as Susan Sontang said subtly. The potential notes of the world.


YO TAMBIÉN PRECISO CREER QUE AL CERRAR LOS OJOS CONTINUARÉ EN ESTE MUNDO...

por Ricardo Resende

Silencioso y triste de aquel  hombre que  deambula solitario  por una  playa acompañado de  su  perro.  Lleva alrededor un rojo ardiente, desolador e inmenso creado en los ambientes inmateriales de una computadora. Nada más que un gesto pictorialista delante de los nuevos  recursos de  creación de  imagen que  nos  apartan artificialmente del lugar común. En la foto, un hombre y su animal  se tornan  pequeñas figuras  o nada  más  que pequeños bultos  inmersos en  aquel  paisaje  simbólico, de  tan  alterado que  fue.  Es el arte  con  o su  poder  de transformar realidades o nada más  que  una licencia poética  que para sobre este mundo.

Tal procedimiento no se repite tan  claramente en la imagen central  en  que  se ve  el océano en  toda  su crudeza de un gris nebuloso y asustador, como  una pintura de Turner. Aquí la imagen está rodeada por los rojos de las imágenes anteriores como  en una pintura  constructivista. Mientras, ella huye del confinamiento con el impacto central  de su fuerza.  Rigidez quebrada apenas por el blanco  que  las líneas  de las olas que  rompen en la playa dibujan  en  el horizonte en  que  mar  y cielo se confunden. Se trata  de  una  instalación o fotomontaje llevados  directamente en  el plano  de  la pared.  Procedimiento que se repetirá en  otras  situaciones creadas en  el espacio de  exposición cuando Rogério  Ghomes proponga aproximaciones entre  imágenes  que  hasta parecen idénticas. Pero no  las  son.  En sus  pequeñas diferencias captadas en  el pasaje del  tiempo, los  paisajes que  están en constante transformación, nos  indican que  un instante es diferente del otro y no se repite más.  El flujo natural de la vida. Como Atlas que deseaba equilibrar el planeta Tierra. El artista, en la misma visión utópica  del  dios  griego,  intenta a su  manera capturar aquel  mundo. Ghomes, en un gesto desesperado con su máquina fotográfica, desea captar  el tiempo presente.  Que nace  y muere. Que nace  y muere. Que nace y muere... Nada más que  un deseo que  resulta en el congelamiento dramático de lo que ya fue.

Estas aproximaciones que  el artista  hace  al colocar imágenes lado a lado, funcionan como  pequeñas narrativas topográficas que  traen  una  dosis  de  ambigüedad en esta disposición. Parece no querer apenas hacerun  registro, es más  que  esto, es captar  con extrema dureza  el tiempo. ¿O será delicadeza? Al colocaren  esta mirada,  un  sesgo romántico y desear explicar nuestra insignificancia delante de los paisajes propuestos, ya sean pequeñas o, inversamente majestuosas.

En un primer vistazo  parecen cargadas de emoción, pero si son observadas con más  cuidado, se percibe una mirada  distanciada, hasta fría. Mi observación es algo contradictoria. Al mismo tiempo en que percibo la belleza  en estas imágenes de Rogério Ghomes, también percibo  dureza  en la objetividad  de sus  fotografías.  Un descubrimiento que nos  asusta frente a fotos  que  muestran dos  islas  distantes en  medio  de un océano de matices azules, grises y tristes. Nuevamente no se sabe dónde termina y comienza el mar y el cielo en esta mezcla  sutil de tonalidades. En estas imágenes percibimos la noción nostálgica de la imposibilidad del infinito, en cuanto transciende.

Sin embargo, sutiles diferencias pictóricas, naturales, en la profundidad de dos  fotografías colocadas lado a lado en que  la única información capaz  de alterar este ambiente contemplativo del silencio propuesto  por  Ghomes, es el pasaje de  unas  pocas nubes. Transformaciones casi imperceptibles en medio de la pesada atmósfera de las vistas panorámicas. Es como si todo  tuviese otro  ritmo  y tiempo en  el exterior  de las imágenes cuando son llevadas  a la pared.  El entorno y el ritmo del espectador circulan a otra velocidad delante de lo que  se observa y que  determina también otra relación  objetiva con la escala de las cosas en el mundo.

En otros   dos  trabajos presentados  lado  a  lado, piedras cubiertas del verde  intenso del musgo y yaciendo  en  el espejo negro  y profundo de  un  riacho, parecen a la espera que  los narcisos se arrojasen en aquel  silencio  de  pequeñas sutilezas. Es otro  ángulo romántico del mundo, propuesto por el artista.

Más imágenes y nos  deparamos con  ambientes cortinados con telas  translúcidas.

La fotografía ahora,  comúnmente asociada al registro  de  la realidad,  asume aires  de  representación. Ventanas de ventanas. Se percibe nuevamente el silencio  al mirar la luz que  viene  de fuera.  Vestigios de la dualidad dentro-fuera en un juego mutuo de esconderse del propio tiempo. Imagen, ficción y realidad se confunden en un paisaje planificado  e indiferente del mundo exterior  vista desde el mundo interior.

Son las otras  licencias  poéticas que  el trabajo  de Rogério Ghomes permite a los incautos como  yo, capaces de simplificar y procurar  belleza  en todo  lo que nos  rodea,  en una época en que hay poco espacio en la sociedad contemporánea para la contemplación. O simplemente espacio para este tipo de  ejercicio  que aquí  me  permito. Pensar, reflexionar y nuevamente pensar sobre el tiempo perdido.  Lo sublime o lo bello son marginales en  una  época saturada de  tensiones e imágenes banales y veloces. ¿Será que  realmente tenemos la cabeza en las nubes?

Al depararme con el trabajo  de Ghomes, estuve a la procura  de un primer  instante, esas pequeñas sensaciones que  sus  fotografías me  provocaban. Como un observador cualquiera, sin el compromiso y la responsabilidad del texto.

Obviamente, que  el  trabajo  tiene  complejidades que  en  una  primera  mirada,  no  es capaz  de  captar en  as  sutilezas del poder  implícito de  las imágenes, dictadas por  la sociedad contemporánea, período  en  que  son  permitidas maniobras técnicas, como  la digitalización de una fotografía. O que, peligrosamente, permite revelar o simular realidades y las no verdades.

Al asumirse como artista, Ghomes, se licencia  del compromiso con  la realidad  de los hombres comunes que  se percibe apenas en la superficialidad de las cosas. En un gesto artístico sobrepasa esta capa  del mundo y capta  no solo la materia, más  también los fenómenos que  se esconden en los planos  de sus  fotografías. Tenemos sed de no realidades.

Deseé antes que todo  incitar  lo bello  como  posibilidad  de  arte  en  la actualidad, al pensar en las fotos  de Ghomes. Sin embargo, me deparo con otras inquietudes sobre el tempo. El ritmo  del  silencio,  los  impulsos del movimiento.

Hoy, fotografiarse tornó  un gesto tan  fácil que  todo  quedó registrable y, por lo tanto,  retocable con estos nuevos avances tecnológicos en la generación de la imagen. Hace tiempo que  la pureza  ética  acabó. Y el acaso tomó  el lugar del testigo ocular de los hechos naturales y humanos. Aquella fotografía que  registraba la vida cotidiana  como  recuerdos vividos perdió lugar, consecuentemente, delante de la cantidad de imágenes banales que circulan por medio  de estos nuevos dispositivos electrónicos.

Como se fotografía  todo  sin la preocupación de seleccionar en el clic la espera del instante cierto,  de la percepción del momento sublime, fotografiar también no requiere más  originalidad.

Las imágenes de Rogério Ghomes son  fuertes en  su  simplicidad  y recuerdan desolación y silencio/s al despertarnos como  se mirásemos a través de ventanas, para sentimientos como  la percepción del pasaje silencioso del fenómeno tiempo. Apenas formas y colores, luces y sombras fijados por su cámara fotográfica en nuestra noción de  tiempo.

Restó entonces al artista, en la era de la imagen digital y delante de tales recursos, diferenciarse en  medio  de  la monotonía en  el gesto fotográfico y registrar lo que  realmente deberíamos observar y memorizar, como  dijo sutilmente Susan Sontag. Las potenciales anotaciones do mundo.